Radar do Ceará

Os números não mentem! O Ceará está mais pobre e desigual!

 

 

Sim. O Ceará está mais pobre e desigual, relativamente ao restante do País! Duas estatísticas oficiais, ambas oriundas de órgãos do Governo Federal e com dados atualizados, apontam para uma mesma e triste conclusão. Comparativamente aos demais estados do Brasil, o Ceará tem ficado mais pobre e mais desigual. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de dados da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílios (PNAD) de 2023, publicou informações acerca da renda populacional e do percentual da população vivendo abaixo da linha da pobreza.

Bom registrar, que essa linha no Brasil corresponde a aproximadamente a uma renda de R$ 664,00 por pessoa, ao mês. Pois bem, aqui no Estado do Ceará, 48,7% da população estão vivendo abaixo dessa linha de pobreza. Temos dramaticamente o terceiro pior resultado do Brasil, ganhando apenas dos estados do Acre e o do Maranhão. Por outro lado, os dados de saldo de empregos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego, parecem razoavelmente bons para os cearenses, mas após uma análise pouco mais específica, desnuda a fragilidade da economia produtiva do Interior do Estado do Ceará. A parte boa é que no acumulado deste ano, segundo dados do Caged, o Ceará tem o segundo maior saldo de empregos da Região Nordeste. Entretanto, esses empregos estão bastante concentrados em Fortaleza.

A nossa Capital que já tem o maior PIB do Nordeste brasileiro e é hoje um dos mais importantes centros urbanos de influência econômica e social do País, pela sua pujança e força, tem gerado uma majoritária parte desses empregos e, assim, melhorado a média do Estado. Mais especificamente Fortaleza, que só tem 28% da população do Estado, concentrou 73,4% dos empregos gerados. O restante das cidades, todas juntas, concentram 62% da população e só tiveram disponíveis 26,4% de todos os empregos gerados no Ceará.

Fica claro, a partir da frieza desses dados oficiais, não apenas que o Ceará tem tristemente “andado para trás”, voltando a ser um dos estados com o maior percentual da sua população vivendo abaixo da linha da pobreza como, também, assiste mais uma vez o fosso de desigualdade entre Região Metropolitana de Fortaleza e o Interior do Estado se acentuar!

A economia do nosso interior se encontra cada vez mais dependente das políticas de transferência de renda e falta uma alternativa de economia produtiva que possa ofertar empregos estáveis, com direitos garantidos e bons salários. Esse nível tão elevado da população vivendo abaixo da linha da pobreza certamente que deverá impactar, ao longo dos anos, outros indicadores sociais e de qualidade de vida do nosso povo. Viajando pelo Ceará, é visível o empobrecimento das nossas populações rurais e a realidade contrastante com as áreas urbanas de mais vitalidade do Estado!

Dito isso, sempre ouvimos a mesma “ladainha” no discurso oficial do Governo do Estado, sempre tentando lateralizar a discussão com uma nova interpretação sobre os dados, com a publicação de outro relatórios mais convenientes ou com a divulgação de ações ou compromissos futuros do Governo! Quando não muito raro, muda a pauta, para não precisar responder às perguntas difíceis! O Ceará está se perdendo nessa falsa ilusão, alimentada por um discurso ufanista e insensível, de quem não tem se preocupado efetivamente em defender os interesses do Estado e sua população mais vulnerável.

Mas os números, infelizmente, não mentem: o Ceará está ficando mais pobre e desigual, relativamente ao restante do País! Falta, inclusive, o básico: um projeto engajador e realista de desenvolvimento para o Ceará!

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