Radar do Ceará

Governo esquece compromissos na área da saúde

O agravamento da questão da violência, cada vez mais bárbara e preocupante no Estado do Ceará, parece ter anestesiado as preocupações e cobranças em relação a outras questões sociais igualmente desafiadoras para os cearenses! Uma das mais importantes e que guarda correlação com a questão da violência é a da saúde pública.

Embora seja inegável a relevância social do nosso Sistema Único de Saude (SUS), a pandemia que o diga, é também forçoso reconhecer, ainda, a limitação de recursos e de melhor gestão para aumentar o acesso e qualidade dos serviços públicos para a população em todo o País. Nos estados em que há maior prioridade dos governos, mais recursos disponíveis, melhor planejamento, melhor gestão e monitoramento de resultados, o desafio de prover mais e melhor saúde até que consegue ser alcançado com mais eficiência. Entretanto, o Estado do Ceará já não consegue garantir nem mesmo a sustentabilidade das ações de saúde já criadas, muito menos ampliar acesso e qualidade no atendimento à população. Importante ressaltar que a despeito dos inúmeros problemas e demandas não atendidas nessa área, é inegável que o Ceará consolidou avanços importantes na história recente. A criação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde, a ampla implantação do Programa de Saúde da Família no Interior do Estado, o sistema de vacinação descentralizado, a rede de Hospitais Regionais e de atenção secundária especializada, são exemplos disso. O resultado mais importante e celebrado é o da consistente e vitoriosa redução nas taxas de mortalidade infantil aqui no Ceará, em especial no final da década de 80 e durante a década de 90.

Entretanto, nós não temos, neste momento, nem a garantia da sustentabilidade dessas ações. Os Hospitais Regionais já “inaugurados” há alguns anos em Quixeramobim e Limoeiro do Norte permanecem com alas fechadas e com funcionamento parcial dos serviços. Há denúncias e reclamações de redução de recursos e atendimentos nos outros Hospitais Regionais e em muitas Policlínicas de exames e consultas.

O apoio aos municípios, fundamental para a gestão local da atenção primária e atenção secundária, já não é realizado na sua plenitude e muitos municípios têm tido dificuldade para manter suas equipes de saúde da família. Além disso, quem não lembra da proposta de campanha do atual governador de acabar com as filas de exames especializados e de cirurgias? As filas em algumas especialidades já estão maiores e ninguém do Governo dá uma satisfação sequer.

Quem não lembra do projeto de interiorizar o atendimento aos pacientes com câncer, com anúncio feito no início do ano passado, inclusive com a presença da Ministra da Saúde? Até agora, nada aconteceu e a população do Interior continua sofrendo para conseguir uma oportunidade de consulta para diagnóstico e, com sorte, uma chance de tratamento ao câncer aqui em Fortaleza.

O abandono ao paciente oncológico, muito especialmente o do Interior, é impressionante e revoltante! Quem não lembra do “novo hospital” da UECE com mais 600 leitos, anunciado em verso e prosa durante a última campanha? Também não funciona ainda. Para completar, até mesmo o critério de selecionar os gestores dos hospitais estaduais por mérito,“blindando” de interferências políticas essa escolha, também se acabou. São os “amigos aliados da política” que voltaram a dar as cartas nos hospitais estaduais!

Os compromissos com a saúde pública no Ceará estão esquecidos e a nossa população mais carente, que mais precisa do SUS e de todo o sistema público de saúde é quem está “pagando essa conta”!!

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