Radar do Ceará

Dia Internacional da Mulher: mais do que uma data para compartilhar mensagens de afeto.

Nesta última semana, tivemos a data comemorativa do Dia Internacional da Mulher. Mais do que uma data para compartilhar mensagens de afeto, respeito e gratidão às mulheres do nosso entorno pessoal ou profissional, a existência da própria data emerge do reconhecimento, entre diferentes civilizações, da assimetria histórica com que homens e mulheres foram tratados ao longo dos tempos. Isso é muito bem verdade no Brasil, marcado por um longa história patriarcal e machista.

Graças à luta e exemplo desbravador de mulheres pioneiras e de diferentes movimentos de conscientização e luta, o assunto passou a ser verdadeiramente pautado ao longo das últimas décadas, a despeito de todas as naturezas de conspirações e preconceitos contra avanços nas políticas de gênero. É importante reconhecer que há, felizmente, um processo de mudança em curso, produto desta luta e de uma nova consciência que começa a florescer na sociedade brasileira.

A prioridade e/ou a busca por mais equilíbrio no acesso a direitos e oportunidades passou a estar cada vez mais presente em legislações, políticas públicas e ações corporativas nesse passado mais recente no Brasil. Isso acrescido ao talento, dedicação e resiliência das mulheres, ao longo de todo este tempo de desequilíbrio de tratamento na nossa sociedade, tem promovido uma modificação progressiva na composição demográfica nas salas de aula das universidades e nos ambientes de decisão de governos e empresas. Nas famílias, o papel das mulheres, já de há muito tempo, é o mais influente e central.

Entretanto, é inegável também que ainda convivemos no nosso País com novos e inúmeros desafios que ainda colocam as mulheres em situação de desvantagens e vulnerabilidades. As diferenças de condições salariais e de tratamento nos processos de recrutamento para funções de liderança; as dificuldades de acesso aos serviços de saúde reprodutiva; o grave cenário de violência psicológica e violência física sofridas; e as vergonhosas estatísticas de femicídios são alguns exemplos de que o dia 8 de Março precisa ser lembrado como um dia para celebrar conquistas mas, principalmente, para aprimorar a luta por uma sociedade de mais avanços na equidade entre os gêneros! Especificamente no nosso Ceará, esses desafios são ainda maiores, alguns com indicadores muito mais graves do que a média do Brasil. Aqui, 65,5% das mulheres ganham até um salário mínimo, a terceira pior estatística do País. Além disso, homens ganham, em média, 12% a mais que as mulheres.

Em relação à formalidade, 50,1% das mulheres trabalham em situações caracterizadas como de informalidade, a segunda pior estatística do Nordeste. Mesmo quando se compara salários públicos, a situação das mulheres é muito mais desvantajosa que a dos homens. No Ceará, homens tem uma remuneração pública estadual 47% maior que as mulheres, ou seja, temos a sexta pior estatística do País. Na dimensão da saúde, a limitação e precariedade de acesso a serviços de saúde da mulher, em especial no aspecto da saúde reprodutiva, é uma triste realidade no Ceará. Exemplo disso é a mortalidade materna. Ao longo dos últimos doze anos, o Ceará manteve em quase todos os anos, uma Razão de Mortalidade Materna maior do que a média do Brasil. O cenário das violências contra as mulheres, de diversas naturezas, também preocupa muito o nosso Estado.

Houve um registro médio de 66 casos de violência contra a mulher por dia, aqui no Ceará, no ano passado. E o que é mais preocupante: um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Aumentaram também, o que é ainda mais sério, os casos de feminicidios aqui no Ceará no último ano. Para enfrentar com sensibilidade e competência esses desafios, é preciso vigilância, monitoramento e prioridade nos orçamentos públicos. Isso para promover mudanças efetivas no cenário da independência financeira, da ampliação do acesso às políticas sociais e de mais proteção institucional em um cenário que é abusivo de violências.

Definitivamente, essas mudanças não acontecerão por concessões ou discursos de satisfação política, mas sim pela força das ideias, da luta e de ações de governos competentes e efetivamente preocupados em modificar esse cenário de desigualdade entre homens e mulheres. Um quadro que, lamentavelmente, é ainda existente no Brasil e, mais gravemente, aqui no nosso Ceará!

Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Preencha abaixo e se inscreva gratuitamente