Radar do Ceará

Estrutura dos Mercados dos Pinhões e da Aerolândia veio da França em 1897

Embora esteja separada há quase 90 anos, a estrutura dos Mercados dos Pinhões e da Aerolândia, em Fortaleza, foi inaugurada como uma só, em 1897. O Mercado de Ferro de Fortaleza, como era chamado, foi um prédio encomendado à oficina francesa Guillot Pelletier, a mesma responsável pela Torre Eiffel. Quem recupera a história é a pesquisadora Isabel Paz, uma das autoras do livro “A Distância entre Nós Dois – História do Mercado de Ferro de Fortaleza”, escrito em parceria com Natália Maia, cineasta e professora.

As peças da estrutura foram trazidas de navio e montadas na Praça Carolina, onde atualmente ficam os Correios, a Praça Waldemar Falcão e o Palácio do Comércio, bem em frente à Assembleia (hoje, Museu do Ceará).

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

A Prefeitura de Fortaleza deve iniciar em breve uma obra que pretende “reunificar” estruturas de ferro dos Mercados dos Pinhões e da Aerolândia.

A estrutura do Mercado da Aerolândia será retirada do local e levada para o entorno da Praça Visconde de Pelotas, no Centro, que abriga o Mercado dos Pinhões. A junção tem o objetivo de construir um Polo Gastronômico e Cultural.

Moradores dizem que não foram consultados pela Prefeitura sobre “reunir” mercados dos Pinhões e da Aerolândia. Neste último caso, residentes da região ouvidos pelo O POVO são contra retirada da estrutura do local.

Estruturas dos Mercados dos Pinhões e da Aerolândia eram uma só

A pesquisadora situa o contexto de inauguração do equipamento há 127 anos. “O Mercado de Ferro foi inaugurado com muita pompa e circunstância em 1897, com direito a fogos de artifício. Ele era considerado um símbolo do progresso nesse período que chamamos de Belle Époque fortalezense. Era símbolo de embelezamento e higienização da cidade, à maneira do que estava sendo feito em Paris, grande referência de urbanização na época”, conta.

<!–

–> <!– –> <!– –> <!– if(url != link_matia && url != link_matia_local){ document.getElementById(‘banner-video’).style.display = ‘none’; }else{ for (let i = 0; i < link_old_ad.length ; i++){ link_old_ad[i].style.display = 'none'; } } –>

Ela conta que registros jornalísticos indicam porque a estrutura do Mercado de Ferro foi desmontada e separada. Segundo Isabel, houve um “processo de deterioração das condições do espaço, descrito como ‘imundo pardieiro’ e ‘asqueroso e insuportável atascadeiro’, isso em 1928”.

Em 1937, a Prefeitura anunciou o desmonte da estrutura e sua realocação. O Mercado dos Pinhões foi para onde hoje ainda está, na Praça Visconde de Pelotas.

Já o Mercado da Aerolância passou um período onde hoje é situado o Mercado São Sebastião, no Centro. “Somente em 1968, a estrutura de ferro foi remontada no bairro da Aerolândia, inaugurado como ‘Mercadinho da Aerolândia'”, recupera.

Os equipamentos continuaram com suas funções de mercado, de comercialização de produtos frescos, carnes, frutas e verduras. Após passarem por processos de restauro, o Mercado dos Pinhões em 2000 e o da Aerolândia, em 2015, eles assumiram funções ligadas à programação cultural.

“O que está sendo proposto é irresponsável”, diz pesquisadora

Sobre o novo projeto de reunificar as obras, a pesquisadora defende que “o que está sendo proposto é irresponsável, tanto no nível técnico, arquitetônico, quanto social e afetivo”.

“Do ponto de vista da mera curiosidade, para quem viu as fotografias antigas do Mercado de Ferro no Centro da cidade, no final do século XIX, entende como as estruturas juntas são imponentes e fazem eco a uma época que não existe mais. Mas os mercados foram realocados há quase 90 anos”, diz.

Ela destaca que os dois mercados são patrimônios tombados a nível municipal desde 2012, “são estruturas centenárias que podem sofrer com essa realocação”. “Não sei que diálogo está acontecendo com a Coordenação de Patrimônio Histórico-Cultural (CPHC) da Secultfor, nem mesmo se há diálogo. É muito preocupante”, questiona.

Isabel enfatiza que o Mercado da Aerolândia é uma “referência paisagística, referência de patrimônio, referência de história, referência afetiva”.

“O que os dois mercados precisam é de programação contínua, de qualidade, gratuita, com boa divulgação e bom diálogo com as comunidades, além da manutenção especializada e frequente da estrutura de ferro, que sofre com nosso clima. Não precisa passar por mais uma reforma radical. Eles precisam ser valorizados pelo que são e onde estão, para as pessoas desses territórios”, justifica.

Seinf pretende apresentar projeto consolidado às comunidades

Titular da Seinf, Samuel Dias explica que o que há hoje sobre a “reunificação” é um “layout”. Ou seja, não há ainda um projeto executivo formulado. Ele adianta, porém, que a ideia é que o Mercado dos Pinhões seja reformado e se torne, com as duas estruturas, um polo cultural e de turismo.

“Vamos marcar reuniões, vamos até lá para mostrar e discutir. A gente não pode chegar na comunidade só com uma ideia, precisa criar algo concreto, visualizado. Que a gente possa mostrar a ideia e, a partir daí, fazer os ajustes necessários”, detalha.

De acordo com ele, ainda não houve conversa com moradores do entorno dos Pinhões, porém, na região do Mercado da Aerolândia essa conversa com a população já tem acontecido. “Obviamente que é impossível conversar com toda a população, mas já procuramos lideranças locais, apresentamos o projeto e já entendemos quais são as necessidades da população naquela área”, afirma.

Nos planos estão quadra coberta, melhoria do piso da quadra, praça como mobiliário urbano, playground, equipamento de ginástica, cinco quiosques de alimentação e palco para eventos culturais.

“O histórico que a gente tem de utilização do Mercado (da Aerolândia) é pontual, basicamente para eventos na época do Carnaval. Teremos um espaço mais útil para a população”.

Conforme Samuel, está marcada para a próxima terça-feira, 23, reunião com os moradores da Aerolândia. Na área do Mercado dos Pinhões, não há definição de data.

Serviço

Livro-reportagem “A Distância entre Nós Dois – História do Mercado de Ferro de Fortaleza”

Para mais informações sobre o livro entrar em contato por meio do perfil no Instagram: @adistanciaentrenosdois

Leia mais em: https://www.opovo.com.br/noticias/fortaleza/2024/04/19/estrutura-dos-mercados-dos-pinhoes-e-da-aerolandia-veio-da-franca-em-1897.html

Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Preencha abaixo e se inscreva gratuitamente